Pies Descalzos
E os pés da menina ruiva
clamavam por descanso.
Uma única pausa.
Tão jovem e despojada.
Contudo, exageradamente
desleixada com os
desgastados pés.
Travavam lutas
com areias grossas,
mergulhavam
em águas gélidas.
Podiam ouvir o triste
som das folhas
e frutos
esmagados
no solo úmido.
Nunca, em toda a pequena
vida daquela criatura laranja,
jamais haviam andado tanto.
Matutavam os pesados
pés o motivo dessa aventura
tão solitária e triste.
E não havia nada
que cessasse, nem
por míseros minutos
aquela inconseqüente
andarilha de pêlos
avermelhados.
Podiam sentir o momento,
em que desfaleceriam
de uma só vez, sem tréguas.
Compartilhavam da inquietude
da garota, mas não suportariam
adversidades futuras...
Concluíram, assim que o corpo
meigo e pequeno da criança,
caiu da grama verde,
que a jovem não andava com os pés,
mas com pensamento.
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Um comentário:
Seus ensaios são lindos. Me passa a impressão do dia-a-dia, do aqui, do que nos toca e do que desejamos alcançar.
Estamos sempre por aí, escrevendo, vivendo, delirando...
beijos
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