20.9.07

Pies Descalzos

E os pés da menina ruiva
clamavam por descanso.
Uma única pausa.

Tão jovem e despojada.
Contudo, exageradamente
desleixada com os
desgastados pés.

Travavam lutas
com areias grossas,
mergulhavam
em águas gélidas.

Podiam ouvir o triste
som das folhas
e frutos
esmagados
no solo úmido.

Nunca, em toda a pequena
vida daquela criatura laranja,
jamais haviam andado tanto.
Matutavam os pesados
pés o motivo dessa aventura
tão solitária e triste.

E não havia nada
que cessasse, nem
por míseros minutos
aquela inconseqüente
andarilha de pêlos
avermelhados.

Podiam sentir o momento,
em que desfaleceriam
de uma só vez, sem tréguas.

Compartilhavam da inquietude
da garota, mas não suportariam
adversidades futuras...

Concluíram, assim que o corpo
meigo e pequeno da criança,
caiu da grama verde,
que a jovem não andava com os pés,
mas com pensamento.

Um comentário:

Mary Jane disse...

Seus ensaios são lindos. Me passa a impressão do dia-a-dia, do aqui, do que nos toca e do que desejamos alcançar.
Estamos sempre por aí, escrevendo, vivendo, delirando...
beijos