20.9.07

Pies Descalzos

E os pés da menina ruiva
clamavam por descanso.
Uma única pausa.

Tão jovem e despojada.
Contudo, exageradamente
desleixada com os
desgastados pés.

Travavam lutas
com areias grossas,
mergulhavam
em águas gélidas.

Podiam ouvir o triste
som das folhas
e frutos
esmagados
no solo úmido.

Nunca, em toda a pequena
vida daquela criatura laranja,
jamais haviam andado tanto.
Matutavam os pesados
pés o motivo dessa aventura
tão solitária e triste.

E não havia nada
que cessasse, nem
por míseros minutos
aquela inconseqüente
andarilha de pêlos
avermelhados.

Podiam sentir o momento,
em que desfaleceriam
de uma só vez, sem tréguas.

Compartilhavam da inquietude
da garota, mas não suportariam
adversidades futuras...

Concluíram, assim que o corpo
meigo e pequeno da criança,
caiu da grama verde,
que a jovem não andava com os pés,
mas com pensamento.
Em homenagem a Nietzsche e dedicado a todos:

“Amor Fati”

Despretensão e covardia
Leveza e profundidade
Sentimentos antagônicos.
Possibilidade de união?


Desejo ser leve, clara
voar como um algodão!
Viver com intensidade.
Amar a mim, a vários
e desamar alguns...
Não perder a profundidade
adequada a uma vida em evolução.
Dever ser,
sem para isso
Ser superficial ou frouxa.


Quero a coragem e
posicionamento diante
dos meus desejos.
Audácia para viver em solidão,
se preciso for.
Aprender o que me faz bem
e quem me faz crescer.


Criar, sofrer com a mudança
e conseguir recriar novamente!
Dançar a vida
como num baile!
Ousar a virtude.
Ousar o crescimento espiritual.
Desafiar e desprender
da culpa.
Ser uma nobre combatente
dos meus ideais.
Enfim ser única no mundo!
Velados e calados

Era uma vez...
Um homem obstinado.
Era a vez de um ditador nascer!
Ontem,
Era hora dos seus sonhos explodirem.
Ontem,
Ele aconteceu num período
De limites impostos.

Depois estes tempos foram abolidos.
Então hoje,
Era a vez da “Ditadura Nunca Mais”!
Agora mesmo,
Vivemos no nunca.
Disfarçados por um véu...
Cobrimos o rosto de medo.

A bravura em face de qualquer perigo
Não contempla nenhum alguém ou poucos.

Para o projeto do nunca - ontem
Foi vital possuir firmeza.
Para os falantes do nunca mais - hoje
Falta esta ousadia.

Para aqueles que possuem firmeza
Não existe abandonar os propósitos.

Os tempos restritos acabaram
Mais seus aqueles não
Irão acabar nunca mais...