Chouriço com pimenta
Hoje sonhei com algo maluco. Sonhei, que sair de casa era muito ameaçador. Era preciso cuidado, leveza e muita sorte: na rua de minha casa, havia cachorros bravos, com bocas espumantes, prontos para matar, sendo, então, mais prudente, ficar quietinho em casa. Todavia, era necessário e desejoso, uma vez ou outra dar uma voltinha na rua.
Eu e mais duas amigas decidimos, no momento em que os cães estavam dormindo, sair para ir ao teatro. Muita cautela e silêncio... Já quase no meio do caminho os cães acordaram. Imediatamente perceberam a nossa presença e partiram em disparada atrás de nós. Saímos em uma corrida frenética, desesperada. Avistei um quartinho, na realidade era um banheiro público, entrei e fechei a porta.
As minhas duas amigas continuaram correndo. E eu pensava como seria bom, se elas também tivessem tido sucesso na fuga. Depois de algum tempo saí da casinha. Não passou pela minha cabeça, que os cães poderiam ainda estar por perto.
Quando abri a porta para dar uma olhadinha na movimentação de fora, um deles trepou em cima de mim. Sem nenhuma chance de voltar à segurança, agora apenas gritava. Mantive-me de pé. Ele me abraçava com as patas e abocanhava meu ombro. Parecia um macaco me abraçando, com a diferença de que desejava comer-me viva. Com a outra mão, conseguia afastar um pouco sua boca nervosa. Gritava muito forte para alguém me ajudar.
Como já era muito recorrente essa história de pessoas sendo agredidas por cachorros, os vizinhos já estavam preparados. Vinham sempre em grupos grandes para ajudar a pessoa acometida. Traziam pedaços de paus e ferros. Ninguém tinha a menor complacência com os cães. Batiam forte, para matá-los. Não por gosto, mas por necessidade.
Um pouco depois, o cão largou meu braço; fora duramente castigado, e sem agüentar mais, soltara-me e fugira às pressas. Meu ombro estava completamente mordido e sangrento.
Um dos rapazes que ajudou na retirada do animal, me perguntou se precisava de um amparo para fazer o curativo. Aceitei de pronto seu apoio, tendo em vista minha incapacidade de limpar o ferimento sozinha.
Passado o susto e tratada a ferida, ele me chamou para fazer parte do almoço familiar que ocorria em sua casa antes do ataque dos cães. E disse com muito gosto, que estavam deliciando chouriço com pimenta.
Agora me vem só a loucura dos acontecimentos... O cão que me mordia era o mesmo que me abraçava. E o carinhoso rapaz que me salvou da investida dos cães e me ajudou com a ferida, era também o mesmo que me convidava, para uma refeição na qual nem em sonho em comeria!...
Hoje sonhei com algo maluco. Sonhei, que sair de casa era muito ameaçador. Era preciso cuidado, leveza e muita sorte: na rua de minha casa, havia cachorros bravos, com bocas espumantes, prontos para matar, sendo, então, mais prudente, ficar quietinho em casa. Todavia, era necessário e desejoso, uma vez ou outra dar uma voltinha na rua.
Eu e mais duas amigas decidimos, no momento em que os cães estavam dormindo, sair para ir ao teatro. Muita cautela e silêncio... Já quase no meio do caminho os cães acordaram. Imediatamente perceberam a nossa presença e partiram em disparada atrás de nós. Saímos em uma corrida frenética, desesperada. Avistei um quartinho, na realidade era um banheiro público, entrei e fechei a porta.
As minhas duas amigas continuaram correndo. E eu pensava como seria bom, se elas também tivessem tido sucesso na fuga. Depois de algum tempo saí da casinha. Não passou pela minha cabeça, que os cães poderiam ainda estar por perto.
Quando abri a porta para dar uma olhadinha na movimentação de fora, um deles trepou em cima de mim. Sem nenhuma chance de voltar à segurança, agora apenas gritava. Mantive-me de pé. Ele me abraçava com as patas e abocanhava meu ombro. Parecia um macaco me abraçando, com a diferença de que desejava comer-me viva. Com a outra mão, conseguia afastar um pouco sua boca nervosa. Gritava muito forte para alguém me ajudar.
Como já era muito recorrente essa história de pessoas sendo agredidas por cachorros, os vizinhos já estavam preparados. Vinham sempre em grupos grandes para ajudar a pessoa acometida. Traziam pedaços de paus e ferros. Ninguém tinha a menor complacência com os cães. Batiam forte, para matá-los. Não por gosto, mas por necessidade.
Um pouco depois, o cão largou meu braço; fora duramente castigado, e sem agüentar mais, soltara-me e fugira às pressas. Meu ombro estava completamente mordido e sangrento.
Um dos rapazes que ajudou na retirada do animal, me perguntou se precisava de um amparo para fazer o curativo. Aceitei de pronto seu apoio, tendo em vista minha incapacidade de limpar o ferimento sozinha.
Passado o susto e tratada a ferida, ele me chamou para fazer parte do almoço familiar que ocorria em sua casa antes do ataque dos cães. E disse com muito gosto, que estavam deliciando chouriço com pimenta.
Agora me vem só a loucura dos acontecimentos... O cão que me mordia era o mesmo que me abraçava. E o carinhoso rapaz que me salvou da investida dos cães e me ajudou com a ferida, era também o mesmo que me convidava, para uma refeição na qual nem em sonho em comeria!...

Um comentário:
Oi, Alice. Gracias pelo comentário. É muito bom a gente conseguir e ter um lugar para expressar nossas emoções. Quanto ao seu sonho, achei-o muito significativo. Sair de casa, sair da casca faz medo, mas precisamos,né, ir ao teatro, onde a vida nos é remetida, nosso espelho. Suas amigas, os cães, creio que alguma adversidade pairava no ar mas, no fim de tudo vc foi salva, cortejada por alguém que ainda te ofereceu uma nova comida, digo, maneira de olhar a vida. Muito legal.
Abraços,
Jane
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