
Guilhotina
Muito de repente me
arrancaram as pernas.
Foi num confronto.
Difícil pronunciar o
verdadeiro vencedor.
A perda é dolente
não só pela dor em si.
Todavia também,
Porque terei que aprender
a andar novamente.
Agora sem elas.
E de um jeito diferente.
Vai carecer criar um modo.
Disseram-me
que nascem outra vez.
E mais outras se vier a precisar.
No entanto,
saiba sair de encrencas!
Já vi outras pessoas aleijadas.
Aliás, trombamos
com elas pelas ruas.
Algumas voltam a ter as pernas.
Elas acabam crescendo...
Apesar disso,
é bom atentar para que
não nasçam tortas ou deformadas.
Às vezes isso acontece.
Pois, não há
o cuidado que se deveria.
Cultivar o respeito
ao processo de mudança
e o nascimento dá nova sustentação.
Somente assim, terei alguma chance
de voltar a andar com as próprias pernas!

2 comentários:
Bonito e emocionalmente difícil para mim a ler. A poesia parece estar viva e eu dentro dela.
Será que a recitaria para mim enquanto andamos de patins no gelo?
Se conseguir fazer as duas coisas ou mesmo tempo, será um prazer...
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